Rádio Marabá, a primeira de Mogi das Cruzes
Rádio marcou época na cidade, com shows de calouros e radionovelas, e revelou grandes nomes do rádio brasileiro
Michelle Amaral
A Rádio Marabá foi fundada em 6 de abril de 1947. A idéia de abrir uma emissora de rádio em Mogi das Cruzes foi de José Costa, dono do Serviço de Auto Falante Tupã, instalado na praça Oswaldo Cruz, e dono também do União Futebol Clube. Ele iniciou conversa com os irmãos Gastão Salles e Renê Ventura Salles, de São Paulo, a fim de se chegar ao entendimento sobre a instalação de uma rádio na cidade. Os irmãos Salles, juntamente com Roberto Monteiro, então funcionário da Rádio Record, de São Paulo, já articulavam negociações para conseguir uma concessão de rádio para Mogi. A concessão veio através do engenheiro Mateus Marcondes de Amaral, que possuía influência junto aos órgãos federais.

Ponte que liga o continente à Ilha Marabá - Foto: Rubens Chiri
A rádio foi instalada na Ilha Marabá por questões técnicas. Para que a transmissão da rádio fosse boa era necessário que sua torre fosse instalada em um local úmido, o que facilita a propagação das ondas.
Por causa da localização da rádio, toda equipe que nela trabalhava enfrentava dificuldades para se chegar à ela, inicialmente era necessário cruzar o rio a barco, até que foi construída uma ponte pênsil entre o continente e a ilha.
O estúdio da rádio permaneceu na ilha até o final de 1948, depois foi transferido para o Cine Odeon, na rua Ricardo Vilela.
A torre ficou até 1962 na ilha. Neste ano, as Emissoras Coligadas, dos irmãos Salles, vendeu a rádio para um grupo de mogianos: Tirreno Da San Bagio, Walter Monteiro de Castro, Jacob Cardoso Lopes e Nelson Franco. Mais tarde, Tirreno acabou comprando a parte dos três sócios. Após isso, Tote teve que retirar tudo da ilha. A torre e os transmissores foram instalados a 50 metros no continente. Em 1977, com o aumento da potência, Tote aproveitou para mudar o nome da rádio para Rádio Diário de Mogi.
Em 1979, com um novo pedido de aumento de potência, o Departamento Nacional de Telecomunicações (Dentel) do Ministério das Comunicações começou a reclamar das condições técnicas em que se encontravam os transmissores, porque freqüentemente o rio transbordava e inundava as instalações da emissora. A prefeitura doou um terreno na parte alta do bairro de César de Souza e os equipamentos foram transferidos para lá. Mas não deu certo. A rádio não era sintonizada em Mogi, mas ouvida em algumas cidades da região sul do país. O local era alto e seco, as ondas pegavam correntes marítimas de Bertioga e iam para muito longe. Com estudos do engenheiro eletrônico Andrade Schmidt, dois meses depois a rádio retornou ao local anterior, próximo da ilha.
Hoje, a ilha abriga um Núcleo de Educação Ambiental - Foto:Heloisa Ikeda
Em 2000, Tirreno teve que vender a rádio, por causa do projeto de uma TV para o Grupo Diário, a TV Diário. O grupo já possuia, além da rádio, o jornal O Diário. Os novos donos, a família Abreu, que já possuía a Rádio Tupi de São Paulo e mais 11 emissoras, decidiram mudar o nome para Rádio Iguatemi, dois anos depois mudaram para Rádio News e, desde 2004, retransmite a programação da Rádio Tupi de São Paulo, com o nome de Rádio Tupi.